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A evolução da face da SIDA/AIDS no Canadá

O número de casos de VIH/HIV reportados no Canadá ainda são os mesmos de quando a epidemia surgiu nos anos 80. Contudo o perfil e a qualidade de vida dos que estão vivendo com o VIH/HIV tem modificado, conforme informa a Agência Nacional de Saúde Pública Canadense, num relatório liberado esta semana, quando se comemora o Dia Internacional da Luta contra a SIDA/AIDS.

Quando o monitoramento controle dos casos de VIH/HIV começaram, a comunidade homosexual masculina foi a mais afetada pelo vírus, com os homens que fazem sexo com outros homens representando por volta de 80% dos casos informados em 1985. Mesmo essa comunidade ainda sendo um grupo de alto risco para a infecção com o VIH/HIV, o perfil típico do paciente de VIH/HIV tem mudado.

O mais novo relatório indica que os homosexuais e bisexuais masculinos representam menos da metade (41,8%) do total dos casos informados em 2009. Ao mesmo tempo, o número de novas infecções no Canadá em outros grupos como mulheres, aborígenes, usuários de drogas injetáveis e pessoas com mais de 40 anos de idade estão a aumentar.

Em 1985 as mulheres representavam um número não considerável de casos de VIH/HIV no Canadá, mas em 2006 esse número chegou a representar 28% dos novos casos. A proporção de infecções entre as mulheres diminuíram gradualmente depois desse período, mas ainda representam em torno de 26% dos 2,417 casos reportados em 2009.

Umas das razões para esses casos estarem aumentando entre algumas populações em específico, é a falta de acesso à educação tanto quanto a falta de acesso à ferramentas que podem contribuir para a redução dos riscos de infecção.

No final de 2008, segundo o relatório, existiam aproximadamente 65.000 pessoas vivendo com o VIH/HIV e SIDA/AIDS no Canadá. Esse mesmo relatório informa que 25 canadenses morreram vítimas da SIDA/AIDS em 2009. Note que esse número pode estar sub-representado por uma série de razões, entre elas o fato de que nem sempre o casos são reportados corretamente como sendo relacionados com SIDA/AIDS. Em adição, Quebec e Ontário não reportaram suas informações relacionadas à essas mortes.

O mudança no perfil dos que são infectados pelo VIH/HIV no Canadá demonstram que a resposta à epidemia também tem que mudar. No total, 25,4% de todos os casos até hoje reportados involvem pessoas que identificam-se como aborígenes conforme o relatório, notando-se que nem todos os casos reportados possuem informação sobre a etnia do paciente.

Quando se avalia os novos casos reportados em 2009, 44% dos casos são entre “brancos”, 33% envolvem aborígenes, e 11,5% dos pacientes não negros. O restante dos casos estão distribuídos entre os latino-americanos, árabes, asiáticos e outras etnias.

A quantidade de infecções pelo VIH/HIV no Canadá diminui drasticamente entre o período de 1995 a 2000. Contudo essa tendência revertiu-se em 2001 e 2002, mas tem-se mantido relativamente estável desde então, com uma estimativa de 3.300 novas infecções reportadas a cada ano.

O número exato de pessoas infectadas com o VIH/HIV no relatório pode underestimar a magnitude da epidemia do VIH/HIV segundo o autor do relatório, porque aproximadamente 26% das pessoas que se são infectadas com o vírus todos os anos não tem conhecimento.

Mesmo que o número anual de novas infecções no Canadá não ter variado drasticamente desde 2002, o vírus ainda infecta aproximadamente 7.000 pessoas diariamente no mundo todo, fazendo com que o total de pessoas vivendo com VIH/HIV seja mais de 33 milhões, de acordo com o relatório das Nações Unidas sobre o estado global da SIDA/AIDS que foi liberado na semana passada.

Dos 1.8 milhões de pessoas que morreram vítimas da SIDA/AIDS em 2009, 97% são de países de baixa e média renda, informa o relatório.
Infelizmente essas mortes não foram resultadas pela falta de medicamentos, mas porque os medicamentos não chegam aos países em desenvolvimento por conta do alto custo, informam os ativistas que acreditam que a legislação B-393 poderia mudar essa situação, pois faria com que as empresas que manufaturam medicamentos genéricos pudessem produzí-los com custo reduzido, fazendo com que os mesmos ficassem mais accessíveis aos países em desenvolvimento.

Se espera que num futuro próximo essa legislação seja discutida no Parlamento e uma resolução seja tomada em favor da produção e comercialização desses remédios genéricos.

(The changing face of HIV in Canada: By Amy Minsky, Postmedia News, December 1, 2010).